
Salvo engano, foi em 1993 que comecei a estudar teclado, com a professora Maria Ângela, a quem todos chamavam Malala, animadíssima!
As aulas eram no piano da casa dela. Eu mesma não tinha teclado em casa, que dirá um piano. Mas a professora morava há três ou quatro quarteirões de minha casa. Pois, eu ia até lá todos os dias estudar, nos horários em que o piano estava vago.
Tal amor tomei pelo instrumento que já não queria mais saber do teclado. Minha mãe chegou a nos comprar um teclado, pois tanto eu quanto meu irmão estudávamos. Mas não sei, aquele som eletrônico, estridente... artificial me cansava os ouvidos.
Na minha primeira Audição, toquei uma versão encurtada de Tristesse, de Chopin. Óh, que belíssima música!
Havia uma amiga, de colégio, de infância, uma das melhores, que também estudava teclado com a mesma professora. Éramos inseparáveis. E em nossa formatura do segundo grau, como se chamava, tocamos juntas, à quatro mãos, num magnífico piano de cauda, Adágio em Sol Menor, de Tomaso Albinoni.
É verdade, eram músicas tristes. Eu sempre fui meio melancólica, meio "encolhida", meio poeta...
Ah, sim. Que paixão o piano! A música!
Mas... a vida o tirou de mim. Correria, afazeres, estudos, vestibular... tantos "embrulhos" e o piano ficou de lado.
As primeiras duas mãos daquela noite de formatura se foram... Tão nova, tão alegre, engraçada até... Morreu. Foi-se pra nunca mais!
Mas a paixão daquela noite, continua tocando no meu coração e um dia há de renascer. Um dia hei de poder me dedicar ao meu amigo "dentado" que me sorri com sua boca larga e os afazeres da vida não me impedirão pra sempre.
Saudades, amiga. Saudades.

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